A PCRR (Polícia Civil de Roraima) apresentou, nesta sexta-feira, 20, os laudos periciais sobre a morte do indígena Gabriel Ferreira Rodrigues, de 28 anos, em encontro com lideranças indígenas, integrantes do CIR (Conselho Indígena de Roraima), representantes da Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) e advogados.
Gabriel foi localizado sem vida próximo à RR-203 em 10 de fevereiro deste ano, no município de Amajari, após permanecer desaparecido por alguns dias.
Durante a reunião realizada pela manhã, foram apresentadas duas hipóteses para o caso: acidente de trânsito — apontado como o cenário mais provável pela perícia, correspondente a cerca de 80% da análise dos vestígios — e homicídio. Ambas as linhas seguem em investigação.
Este foi o segundo encontro promovido pela Polícia Civil em um intervalo de dez dias com lideranças indígenas para expor os resultados técnicos obtidos.
Participaram do encontro o delegado-geral da PCRR, Luciano Silvestre, além de diretores de departamentos, peritos criminais, médico-legista e representantes de órgãos parceiros.
Conforme o delegado-geral, a ação teve o objetivo de assegurar transparência no andamento das apurações. “Apresentamos todos os laudos com transparência, demonstrando como o trabalho foi conduzido, desde a coleta dos vestígios até a conclusão das análises. A Polícia Civil está aberta ao diálogo e comprometida com a elucidação dos fatos”, declarou.
Segundo a perícia, os elementos avaliados indicam maior compatibilidade com um acidente ocorrido na rodovia RR-203, em Amajari. A hipótese de homicídio, porém, não foi totalmente descartada.
A reconstrução técnica da dinâmica do caso, baseada em exames periciais e na análise dos vestígios, aponta que a vítima pode ter se desorientado após um possível acidente — uma hipótese detalhada pela perícia criminal e que continua sendo aprofundada nas investigações.
Representantes das comunidades indígenas acompanharam a apresentação e ressaltaram a importância do acesso às informações.
O tuxaua-geral do CIR, Amarildo Macuxi, reconheceu o trabalho das equipes técnicas, mas enfatizou que as comunidades continuarão a acompanhar o caso de perto.
“Primeiro, a gente agradece à Polícia Civil e aos peritos, que elaboraram todo esse laudo sobre o caso Gabriel. Reconhecemos como positivo esse procedimento, o trabalho feito no local e nas investigações”, afirmou.
A coordenadora regional da Funai, Marizete de Souza, informou que os laudos serão remetidos para avaliação pela procuradoria do órgão.
“Quero agradecer o trabalho da equipe da Polícia Civil. A Funai teve todos os pedidos de informação atendidos, e estamos encaminhando esse material para a nossa procuradoria, que fará a análise do laudo apresentado”, concluiu.
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