Governo estadual planeja nova etapa da agropecuária de baixo carbono em Roraima

PLANO ABC 4

O Governo de Roraima oficializou, nesta quarta-feira (18), o Plano ABC+ Roraima — um dos principais instrumentos de política pública para orientar o futuro da agropecuária no Estado. A iniciativa integra o eixo de Desenvolvimento Sustentável do Plano Roraima 2030, com foco na preservação ambiental e no crescimento econômico responsável.

Liderado pela Seadi (Secretaria de Agricultura, Desenvolvimento e Inovação) e elaborado com a participação de órgãos governamentais, instituições de pesquisa, representantes do setor produtivo e da sociedade civil, o plano define diretrizes para uma agropecuária sustentável, resiliente e de baixas emissões de carbono.

De acordo com o coordenador de Agricultura Familiar e Indígena, Sausalem Bastos, o plano representa uma nova maneira de pensar a produção rural em Roraima.

“O ABC+ Roraima reúne metas estratégicas que combinam ciência, tecnologia e políticas públicas para garantir produtividade com responsabilidade ambiental. Estamos construindo bases para uma agropecuária moderna, sustentável e inclusiva”, ressaltou.

Governança e integração institucional

Um dos diferenciais do plano é a estrutura de governança, com a criação de um Grupo Gestor Estadual que, além da Seadi, reúne o Iater (Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural), a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária), as universidades Federal e Estadual de Roraima, o Sebrae-RR, a Femarh (Fundação Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos), Aderr (Agência de Defesa Agropecuária de Roraima) e a Sepi (Secretaria dos Povos Indígenas).

Para o engenheiro-agrônomo da Seadi, Wolney Parente, a articulação entre os órgãos é fundamental para alcançar resultados concretos.

“O plano foi construído de forma colaborativa, respeitando as especificidades de Roraima. Essa articulação permite transformar o planejamento em ações efetivas, com mais eficiência na execução e no monitoramento”, afirmou.

Programas estratégicos

O Plano ABC+ está organizado em seis programas principais, voltados para reduzir emissões de gases de efeito estufa, aumentar a produtividade e fortalecer a competitividade do setor agropecuário: recuperação de pastagens degradadas; ILPF (Integração Lavoura-Pecuária-Floresta) e sistemas agroflorestais; sistema de plantio direto; florestas plantadas; bioinsumos; e terminação intensiva na pecuária.

Medidas estruturantes e metas

Entre os eixos prioritários do plano estão a ampliação do acesso ao crédito rural, a regularização ambiental e fundiária, incentivos fiscais para produção sustentável, o fortalecimento da assistência técnica, o PSA (Pagamento por Serviços Ambientais) e a educação e difusão tecnológica.

O plano fixa metas como a recuperação de 30 mil hectares de pastagens degradadas, a expansão de sistemas integrados e agroflorestais, além do fortalecimento da adaptação climática nas propriedades rurais.

Para Bastos, o impacto do plano vai além da produção. “Trata-se de desenvolvimento econômico aliado à preservação ambiental e à geração de oportunidades no campo, posicionando Roraima como referência na Amazônia”, afirmou.

Wolney Parente destacou a importância estratégica da iniciativa. “O ABC+ prepara o Estado para acessar mercados sustentáveis, captar recursos e se inserir de forma competitiva na economia verde”, concluiu.

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