Há pessoas que entram em nossas vidas e, sem alarde, semeiam mudanças. Roseneide Rodrigues é uma delas. Conhecida como Rosinha, sua determinação e resiliência cabem no peito e ecoam pelos corredores do Projeto Crescer, onde diariamente brotam relatos de recomeço, afeto e cuidado.
Ela veio de longe. Aos sete anos, deixou o interior do Maranhão rumo às terras quentes de Boa Vista. Veio acompanhada dos pais e trouxe consigo algo valioso: o estímulo aos estudos e a crença de que os sonhos são alcançáveis. O tempo passou e aquela menina em busca de um novo começo tornou-se mulher, assistente social e servidora pública.
Ela atua há 11 anos no Hospital Geral de Roraima e, desde 2019, faz parte da assistência social da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SEMADS). Em agosto de 2024, iniciou um novo capítulo: assumiu a Gerência-Geral do Projeto Crescer. Foi ali que sua trajetória se entrelaçou de vez com a de muitos jovens.
Quando o cuidado vira morada
O Projeto Crescer vai além de um programa social. É um espaço de afeto onde 350 adolescentes e jovens aprendem que, mesmo diante das adversidades, é possível recomeçar. E Rosinha aprendeu com eles que liderar também é acolher. “Tem uma integrante que me chama de ‘mamis Rose’. Ela tem meu WhatsApp e manda mensagem nos fins de semana. Eu atendo sempre, porque sei da importância de ser um apoio”.

Ela guarda na lembrança um encontro fora do projeto. Estava no hospital, em sua outra função, quando viu uma jovem do Crescer acompanhando a mãe em um momento delicado. Aquela menina não era a mesma que sorria e abraçava nos corredores do projeto. Estava exausta, em silêncio, carregando um peso que poucos percebiam.
“Foi ali que me sensibilizei ainda mais. Passei a observá-la com mais cuidado. O pouco que ela me contou revelava força, mas era uma jovem completamente diferente da que eu acolhia no Crescer”.
Rosinha também conhece a dor das ausências. Perdeu os pais, porém guardou os ensinamentos deles: que estudar é caminho, que trabalhar é dignidade e que sempre há chance de recomeçar. “Quero que as integrantes me vejam e pensem: ‘ela conseguiu, eu também posso’. É isso que procuro transmitir — que podemos estudar, passar em concurso, constituir família e ser felizes. Mesmo com perdas e sofrimentos, a vida segue e nós seguimos com ela”.
O que move Rosinha
Para ela, trabalhar no campo social é mais do que uma profissão. É cumprir um propósito. É testemunhar um jovem encontrar caminhos, enxergar seu lugar no mundo e sonhar com faculdade e um futuro diferente.
“Eles acabam buscando contato comigo além do projeto, porque me veem como referência, como inspiração, como alguém para oferecer apoio e uma palavra quando precisam. Trabalhar com o social é enriquecedor porque, pela gestão e pela liderança, você vê que é possível transformar vidas e, assim, contribuir para o futuro dessas pessoas”.

Rosinha é a prova viva de que uma liderança pautada pela escuta tem poder de cura. De que se pode converter dor em semente, ausência em presença e trajetória em inspiração. Esse é o propósito de um dos projetos de maior destaque da Prefeitura de Boa Vista. O Crescer busca oferecer oportunidades e transformar a realidade de muitos jovens.
*Supervisionado por Shirleia Rios*




