Mais do que apenas oferecer crédito, a Prefeitura de Boa Vista tem levado equipes às comunidades indígenas para conhecer de perto a realidade de quem empreende. Pela Agência Municipal de Empreendedorismo (AME BV), técnicos estão visitando os negócios inscritos na linha “ARI’KUTA CRED”, expressão em macuxi que significa “florescer o seu empreendimento indígena”.
O programa destina R$ 150 mil no total, beneficiando 50 iniciativas com R$ 3 mil cada, pagos em 12 parcelas sem juros e com carência de 60 dias. Antes da liberação dos recursos, os inscritos passam por uma visita social, quando a equipe verifica a rotina, as dificuldades e as potencialidades de cada atividade.
De acordo com a diretora-presidente da AME BV, Luciana Surita, a intenção é assegurar que o apoio seja aplicado de forma responsável e compatível com a realidade local. “Temos consciência de que o acesso a insumos nas comunidades é mais limitado. Por isso, além do recurso financeiro, é fundamental estar presente, conhecer cada empreendimento e orientar os empreendedores para que o investimento realmente fortaleça a economia local”, afirmou.
Foco na produção rural
No baixo São Marcos, na comunidade indígena Mauixi, o produtor Arsênio Mafra dos Santos, 64 anos, recebeu a equipe em sua propriedade. Entre pés de banana, roçados de mandioca (macaxeira) e áreas de melancia, ele mostrou a estrutura que mantém com trabalho diário.
“A visita é muito importante para que conheçam nosso empreendimento e as nossas necessidades. Pretendo usar o crédito para ampliar a área irrigada, comprar canos e a fita de gotejamento”, explicou. Recentemente, ele recebeu um painel solar com apoio da Prefeitura de Boa Vista, o que possibilitou modernizar parte da produção.
Durante a inspeção, os técnicos avaliaram a infraestrutura, orientaram sobre o planejamento do investimento e tiraram dúvidas sobre o processo de liberação do recurso.
Apoio ao comércio local
Na comunidade Campo Alegre, a equipe visitou o pequeno comércio de Jailda Santos, 47 anos. Entre prateleiras e panelas no fogão, ela detalhou como organiza o negócio, que há um ano serve refeições — com destaque para a carne de sol — a moradores e trabalhadores da região.
Jailda relatou as dificuldades para repor o estoque, especialmente por ter que buscar mercadorias na cidade e por lidar com vendas a prazo. A visita técnica permitiu identificar a necessidade de investimento em refrigerantes, bombons e proteínas para o preparo dos almoços.
Ao saber da linha de crédito pela Tuxaua, Jailda resolveu se inscrever. No encontro com a equipe da AME BV, recebeu orientações sobre controle financeiro e planejamento de compras. Para ela, a presença dos técnicos traz confiança. “É importante que venham aqui, vejam como trabalhamos e entendam nossas necessidades”, ressaltou.
As visitas da AME BV às comunidades seguem até esta sexta-feira, dia 13. Os empreendedores selecionados para as fases seguintes participarão de um curso de educação financeira e passarão pela avaliação do comitê de crédito.




