Lançada na quarta-feira (4) na Câmara dos Deputados, a Coalizão dos Biocombustíveis surge como um espaço de articulação entre o Legislativo e o setor produtivo para fortalecer os biocombustíveis como eixo central da transição energética no Brasil. A Coalizão é formada inicialmente pelas Frentes Parlamentares da Agropecuária (FPA), do Biodiesel (FPBio), do Etanol (FPEtanol) e da Economia Verde.
Com atuação junto ao Executivo, o grupo recém-criado pretende contribuir para a formulação de políticas, metas e instrumentos que consolidem o Brasil como referência global em energia limpa, conciliando desenvolvimento econômico, inclusão social e sustentabilidade ambiental.
A coordenação da bancada ficou sob responsabilidade do deputado Arnaldo Jardim (Cidadania-SP), que já acumula as funções de coordenador das frentes parlamentares do Cooperativismo (Frencoop) e da Economia Verde, além de participar da Comissão de Transição Energética da Câmara dos Deputados. Ele foi o relator do projeto que originou a Lei dos Combustíveis do Futuro, um dos principais motores do movimento, responsável por direcionar cerca de R$ 260 bilhões em investimentos.
Objetivos
Entre os princípios defendidos pela coalizão estão o reconhecimento dos biocombustíveis como política de Estado, a integração entre energia, indústria, agropecuária e meio ambiente, o incentivo à produção nacional, a valorização da economia circular e o uso de resíduos para a geração de energia limpa. A iniciativa também destaca a importância da Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) como critério técnico para medir o impacto ambiental dos combustíveis.
Além disso, o grupo defende um planejamento estruturado para a substituição gradual dos combustíveis fósseis, com metas claras, instrumentos de financiamento e a discussão sobre a criação de um Fundo Nacional para a Transição Energética. Para os participantes, o Brasil possui condições únicas para liderar a economia de baixo carbono, com impactos positivos ambientais, sociais e econômicos.
Um dos primeiros desafios do bloco será impedir a possibilidade de importação de biodiesel, tema que entrou em debate após a abertura de consulta pública pelo Ministério de Minas e Energia. O setor argumenta que a produção nacional é suficiente para atender à demanda e que a importação pode prejudicar as indústrias brasileiras.
COP 30
Um dos principais resultados da COP 30, realizada em Belém do Pará no ano passado, foi o compromisso do governo federal de criar um mapa do caminho para a descarbonização energética, com os biocombustíveis ganhando destaque na tarefa de substituir o uso de combustíveis fósseis, que são mais nocivos ao meio ambiente.
Eles são produzidos a partir de rejeitos ou dejetos de origem animal e vegetal, como o bagaço de cana ou fezes suínas. Dessas biomassas surgem o etanol, o biodiesel e o biogás, capazes de movimentar veículos a combustão, com a vantagem de emitir menos gases poluentes, além de aproveitar matérias que antes eram descartadas na natureza.
]]>



