As despesas públicas brasileiras já ultrapassaram R$ 560 bilhões em 2026. Esses dados podem ser acompanhados em tempo real na plataforma Gasto Brasil, ferramenta criada pela Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), em parceria com a Associação Comercial e Empresarial de São Paulo (ACSP).
Do total registrado, mais de R$ 230 bilhões referem-se a gastos da União, R$ 160 bilhões aos estados e ao Distrito Federal, e R$ 175 bilhões aos municípios. Os valores foram consolidados na segunda-feira (2) e incluem despesas com pessoal e encargos sociais, investimentos, inversões financeiras e outras despesas correntes.
Ao comparar com a arrecadação tributária registrada pelo Impostômetro também nesta segunda-feira, o Gasto Brasil revela que as despesas públicas já superam as receitas. Até o momento, a arrecadação totalizou cerca de R$ 480 bilhões. O Impostômetro contabiliza todos os tributos arrecadados pelas três esferas do governo, incluindo impostos, taxas, contribuições, multas, juros e correção monetária.
Equilíbrio fiscal
Em um ano de eleições e Copa do Mundo, o governo federal deve concentrar esforços na busca pelo equilíbrio fiscal. Essa é a orientação do primeiro Relatório de Acompanhamento Fiscal (RAF) do ano, divulgado pela Instituição Fiscal Independente (IFI).
Segundo o relatório, em 2025, o déficit primário legal — que exclui determinados gastos autorizados em lei — foi de R$ 9,5 bilhões, o equivalente a 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB). Esse resultado está dentro da meta fiscal, que admite déficit ou superávit de até 0,25% do PIB.
Já o déficit efetivo, que considera todas as despesas sem exceções, atingiu R$ 61,7 bilhões, ou 0,5% do PIB. Embora a meta tenha sido formalmente cumprida, a IFI destaca que esse resultado efetivo contribui para o aumento da dívida bruta do governo central.
Para 2026, o projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias previa exceções ao arcabouço fiscal equivalentes a 6,7% das despesas. Esse percentual, porém, foi ampliado para 8,2% na lei sancionada, representando cerca de R$ 230 bilhões em gastos excluídos das regras fiscais.
O diretor da IFI, Alexandre Andrade, alerta sobre os riscos na execução do orçamento de 2026, especialmente relativos às despesas com benefícios previdenciários.
“Os parâmetros usados foram relativamente otimistas, e a dotação dessa despesa foi reduzida entre a sanção do orçamento e a proposta original. Por isso, identificamos riscos de aumento de contenções, seja por bloqueios ou contingenciamento de despesas discricionárias”, analisa.
Cláudio Queiroz, coordenador do Gasto Brasil e consultor da CACB, considera inevitável, em algum momento, a aprovação de reformas impopulares, como a administrativa, a previdenciária e a tributária, esta última iniciada neste ano.
“Independentemente do governo, seja ele de direita, esquerda ou centro, em 2027 será preciso implementar reformas de impacto para tentar equilibrar as contas públicas”, afirma.
Despesas obrigatórias comprimem investimentos
A alta participação das despesas obrigatórias no orçamento também é motivo de preocupação para a IFI. De acordo com Andrade, o espaço para despesas discricionárias é restrito, variando entre 5% a 10% do total, o que impacta diretamente nos investimentos públicos.
“Esse baixo nível de investimento do governo prejudica a taxa de investimento da economia e limita a capacidade de crescimento do país, o que os economistas chamam de PIB potencial”, ressalta.
Diante desse contexto, a IFI avalia que, em 2026, o governo federal deve priorizar uma gestão fiscal de curto prazo e postergar medidas estruturais, tanto quanto a elevação de tributos quanto cortes expressivos de gastos. Com dificuldades para obter apoio parlamentar, o foco tende a ser zerar o déficit primário, e não alcançar a meta central de superávit, fixada em 0,25% do PIB.
Esse nível, entretanto, está longe do que a IFI considera necessário para estabilizar a trajetória da dívida pública: um superávit primário superior a 2% do PIB.
*Com informações da Senado Notícias
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