O OpenClaw, um novo assistente virtual que chamou atenção nas redes recentemente, promete realizar tarefas em nome do usuário para simplificar o dia a dia. A ideia é disponibilizar um chatbot capaz de agir com autonomia, acessível pelo aplicativo de mensagens que você já usa.
Embora a ferramenta não tenha finalidade maliciosa por si só, o nível de acesso que ela pode obter ao computador do usuário amplia muito a superfície de ataque. Quando o assistente consegue executar comandos, abrir programas e interagir com o sistema, qualquer interpretação equivocada ou uso indevido pode gerar consequências graves.
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O que é o OpenClaw?
Diferente de outros assistentes, o OpenClaw não é, por si, um modelo de IA. Ele atua como uma interface que se conecta a qualquer grande modelo de linguagem (LLM) configurado pelo usuário, seja localmente ou na nuvem. A diferença crucial é o nível de controle: o OpenClaw pode interagir diretamente com o computador, acionando aplicações, rodando comandos no terminal e até enviando mensagens em nome do usuário.
“Executar um agente de IA com acesso ao terminal do seu dispositivo é… arriscado”, alerta uma página de suporte do OpenClaw.
Esse grau de permissão, embora seja o diferencial da ferramenta, é também o que a torna um potencial vetor de risco quando mal configurada ou usada sem precauções.
Quais riscos o OpenClaw oferece?
O OpenClaw opera por meio de mensagens de texto. O usuário envia uma solicitação pelo chat configurado, o LLM processa o pedido e, em seguida, o assistente realiza as ações identificadas, como abrir aplicações, responder a perguntas ou criar lembretes.
Num cenário ideal, em que modelos de IA nunca cometem erros, esse processo seria seguro. Na prática, LLMs podem interpretar comandos de forma equivocada. Com permissões profundas no sistema, isso pode causar ações irreversíveis, como exclusão de arquivos pessoais, preenchimento incorreto de formulários ou mesmo compras não intencionais.
Outro ponto delicado é a manipulação de arquivos. O OpenClaw pode criar, alterar e apagar dados no computador do usuário, o que abre espaço para modificações indesejadas por engano.
O risco de prompt injection
O alto nível de privilégios do OpenClaw também eleva bastante a exposição a ataques de prompt injection. Nesse tipo de ataque, agentes maliciosos inserem instruções ocultas para forçar o assistente a realizar ações prejudiciais.
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Entre os perigos estão:
- A instalação e o download de malware;
- O vazamento de dados pessoais, credenciais e cookies de sessão;
- A exposição de informações internas de empresas;
- A exclusão de arquivos do usuário.
O mais alarmante é que o invasor não precisa interagir diretamente com o chatbot. As instruções maliciosas podem estar ocultas em arquivos, extensões ou páginas web aparentemente inofensivas para humanos, mas interpretadas como comandos válidos pelo agente de IA.
Como mitigar os riscos de uso do OpenClaw?
O OpenClaw pode ser um experimento útil para avaliar o potencial de assistentes de IA realmente operacionais. Para quem tem interesse, vale testar — desde que com medidas de segurança rigorosas.
No site oficial do projeto, existem recomendações detalhadas para reduzir os riscos, como definir quem pode interagir com o bot e estabelecer limites claros para suas permissões.
Na prática, a regra é direta: quanto menor o nível de acesso concedido ao assistente, menores serão os prejuízos em caso de erro ou abuso. Outra ação importante é limitar sua exposição à internet, evitando autorizar navegadores ou serviços online que facilitem o contato com agentes externos.
OpenClaw não é um assistente para todo mundo
O OpenClaw é um assistente de IA open source ainda em fase experimental. Apesar de funcionar, ele não foi desenvolvido como um produto comercial para o usuário final.
A instalação, configuração e uso exigem conhecimento em informática, linha de comando e modelos generativos. Para usuários menos experientes, os riscos podem superar os benefícios.
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