Índice de crescimento da produção industrial registra pior dezembro desde 2018, indica CNI

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O índice de variação da produção industrial recuou 3,5 pontos, finalizando dezembro com 40,9 pontos. Este é o pior desempenho para o mês desde 2018, conforme divulgado na Sondagem Industrial pela Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Uma queda significativa também foi observada no emprego industrial. O índice de variação no número de empregados ficou em 46,9 pontos em dezembro. Por estarem abaixo dos 50 pontos, ambos os indicadores indicam redução tanto na produção quanto na quantidade de empregos no setor.

Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, ressalta que a retração nesses indicadores é habitual, porém a intensidade chama atenção. “Os dados em conjunto reforçam o diagnóstico que acompanhamos há algum tempo, de desaceleração da indústria. Mesmo os estoques – que diminuíram entre novembro e dezembro, algo comum para o período – reduziram neste ano, porém continuam acima do previsto pelas empresas. Isso evidencia certa frustração dos empresários e uma desaceleração da demanda mais acentuada do que o esperado”.

O desempenho da Utilização da Capacidade Instalada (UCI) confirma a percepção dos empresários industriais sobre a desaceleração do setor. O índice caiu 4 pontos percentuais entre novembro e dezembro, atingindo 66%, o nível mais baixo para o mês desde 2017.

Os três principais desafios enfrentados pela indústria permaneceram os mesmos no quarto trimestre de 2025: carga tributária, juros e falta de demanda. Esses pontos lideraram as reclamações durante todos os trimestres do ano passado.

Finanças

A utilização dos estoques, embora acima do ideal, ajudou a minimizar o impacto no faturamento das empresas do setor. De acordo com a pesquisa, o índice de variação de estoque efetivo em relação ao usual caiu 0,1 ponto, fechando o ano em 50,6 pontos. O resultado indica que ainda existe excesso de estoques em relação ao planejado pelas companhias.

Essa estratégia contribuiu para resultados financeiros positivos no último trimestre de 2025. O índice que mede a satisfação dos industriais com a situação financeira das empresas subiu de 48,9 pontos no terceiro trimestre do ano passado para 50,1 pontos no quarto trimestre. Com isso, os empresários passaram de insatisfeitos para neutros em relação à saúde financeira dos seus negócios.

Da mesma forma, o índice de satisfação com o lucro operacional aumentou 0,9 ponto no quarto trimestre, alcançando 44,5 pontos. O indicador permanece abaixo dos 50 pontos, mostrando insatisfação dos industriais com o lucro operacional, mas a melhora suavizou essa percepção negativa.

O índice de facilidade de acesso ao crédito registrou 40,9 pontos, o maior valor alcançado em 2025. Mesmo assim, continua bem abaixo dos 50 pontos, refletindo dificuldades significativas para obtenção de crédito.

Azevedo observa que, por estarem os índices abaixo dos 50 pontos, os resultados financeiros das empresas industriais ainda são majoritariamente insatisfatórios. “Apesar da pequena melhoria do terceiro para o quarto trimestre de 2025, as condições financeiras permanecem bastante adversas para as empresas em geral.”

Já o índice que mede a variação do preço médio das matérias-primas subiu 0,1 ponto, alcançando 55,3 pontos no quarto trimestre do ano. Isso indica que os empresários apontam aumento nos preços desses insumos, embora com menor intensidade do que no final de 2024, quando o indicador atingiu 64,2 pontos.

Expectativas positivas

Todos os índices de expectativas cresceram entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026.

  • A demanda por produtos industriais subiu de 50,2 para 52,7 pontos;
  • A compra de insumos e matérias-primas aumentou de 49,2 para 52 pontos;
  • O número de empregados passou de 49 para 49,9 pontos;
  • A quantidade exportada cresceu 1,7 ponto, indo de 48,4 para 50,1 pontos.

Os dados indicam que os empresários esperam crescimento na procura por bens industriais, bem como na aquisição de insumos e matérias-primas nos próximos seis meses, enquanto as contratações e exportações devem permanecer estáveis. “É comum que no início do ano surjam expectativas mais otimistas, pois há a previsão de aumento da produção após uma desaceleração no final de cada ano”, avalia Azevedo.

Entretanto, a intenção de investimento caiu 0,2 ponto após três aumentos consecutivos. Assim, o indicador iniciou janeiro com 55,7 pontos, dois pontos abaixo do patamar registrado no começo de 2025.

Pesquisa

A edição de dezembro de 2025 da Sondagem Industrial entrevistou 1.341 empresas — sendo 552 pequenas, 459 médias e 330 grandes — entre 5 e 14 de janeiro de 2026.

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