Fontes do Ministério de Minas e Energia, ouvidas pela reportagem do Brasil 61, asseguram que o primeiro leilão de armazenamento de energias renováveis está confirmado para abril deste ano. A equipe técnica do órgão está trabalhando nos preparativos para o certame e na consolidação dos dados da consulta pública, finalizada no mês passado.
O setor de geração de energia manifesta preocupação com possível atraso no cronograma após a sanção do marco regulatório. Entidades do setor identificam contradições em alguns trechos da norma e destacam o processo burocrático envolvido no leilão.
Para Markus Vlasits, presidente do Conselho da Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia (Absae), é urgente ampliar a inserção do armazenamento no setor elétrico. “Precisamos de um leilão de armazenamento. Ele pode ser para geração, para transmissão, de qualquer forma, mas não temos o luxo de debater por mais um ano ou um ano e meio sobre a possível forma de inserção dessa tecnologia no sistema elétrico brasileiro, pois dela necessitamos”, alerta o executivo.
Segundo a entidade, o mercado já está em crescimento. Empresas nacionais e multinacionais impulsionam o setor de energias renováveis, reconhecem o potencial brasileiro e consideram que o arcabouço legal e jurídico está maduro o suficiente para que esse crescimento prossiga. Agora, falta a participação direta do Poder Público.
Interessados
Atividades de grande porte, com alta demanda energética, acompanham de perto o andamento do caso. Indústrias intensivas, centros comerciais, hospitais e o agronegócio podem se tornar consumidores das novas baterias de armazenamento, beneficiando direta ou indiretamente toda a população.
O vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária na Câmara dos Deputados, Arnaldo Jardim (Cidadania/SP), destaca que o desenvolvimento de tecnologias para captação de energia fotovoltaica foi estratégico para a expansão de programas sociais e ajudou a levar eletricidade a muitas famílias, inclusive na zona rural. “Atualmente, a energia solar representa mais de 11% da energia gerada no país, o que criou um ambiente positivo para que não apenas programas como o Luz para Todos, mas também a energia solar, com autonomia, sem custos adicionais e com rápida recuperação, pudesse alcançar as propriedades”, afirmou o parlamentar.
Leilão 2026
O Leilão de Reserva de Capacidade – Armazenamento (LRCAP) tem como objetivo contratar potência em megawatts (MW) proveniente de novos sistemas de armazenamento de energia em baterias (SAE-BESS, em inglês). Na prática, o leilão permitirá que empresas instalem e operem grandes sistemas de baterias capazes de armazenar energia elétrica e liberá-la quando necessário, contribuindo para a estabilidade e segurança do fornecimento energético em todo o país.
De acordo com a portaria que estabelece as regras do certame, os sistemas devem realizar a recarga completa em até seis horas, com disponibilidade de potência máxima por quatro horas diárias e capacidade acima de 30 megawatts (MW). O início da operação está previsto para agosto de 2028, com duração contratual de dez anos. A expectativa é que o montante contratado alcance 2 GW.
]]>



