Baterias têm potencial para movimentar mais de R$ 70 bilhões no mercado de energias renováveis

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O Brasil ocupa a terceira posição mundial na geração de energia proveniente de fontes renováveis. Essa estatística, divulgada pela Agência Internacional de Energia Renovável (Irena) em abril do ano passado, aponta uma capacidade instalada de 213 gigawatts no país, ficando atrás apenas da China (1.800 GW) e dos Estados Unidos (428 GW).

Entretanto, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) estima que cerca de 17% dessa energia acaba sendo desperdiçada devido à falta de sistemas de armazenamento ou integração elétrica. A Região Nordeste, onde 70,6% da eletricidade é oriunda de fontes solar e eólica, é a que mais sofre com essa carência.

Geração de Energia Elétrica no Brasil – 2025 (Fonte: CCEE, nov/2025)
Região Eólica (%) Fotovoltaica (%) Hídrica (%) Térmica (%)
Nordeste (NE) 52,0 18,5 17,5 12,0
Norte (NO) 1,5 0,0 80,0 18,5
Sudeste / Centro-Oeste (SE-CO) 0,3 9,4 63,0 27,3
Sul (SU) 9,4 0,2 72,0 18,4

Para Fábio Lima, diretor executivo da Associação Brasileira de Soluções de Armazenamento de Energia (Absae), essa situação pode estar próxima de mudar graças ao crescimento do mercado de baterias. “O armazenamento tende a se expandir por todo o país, com destaque para o Nordeste, que abriga grandes parques eólicos e solares, hoje prejudicados por cortes na geração, além da aplicação no agronegócio em sistemas menores. A Amazônia também vem avançando no armazenamento em sistemas isolados e comunidades ribeirinhas com geração solar,” explica o executivo.

Essas tecnologias permitem guardar energia produzida durante o dia, especialmente nos períodos de maior vento e incidência solar, para uso quando esses recursos são escassos, como à noite. Segundo a entidade, o mercado pode alcançar um faturamento de R$70 bilhões até 2034. Além do agronegócio, indústrias de grande porte, centros comerciais e hospitais podem se beneficiar e, consequentemente, toda a população.

“O armazenamento em baterias possibilita o aproveitamento da energia renovável, sobretudo eólica e solar fotovoltaica, evitando desperdícios que afetam os geradores e permitindo seu uso nos horários de pico, o que reduz o acionamento de fontes mais caras, como usinas termelétricas,” destaca o diretor da associação.

 

Leilão 2026

No evento COP 30, realizado em Belém do Pará, o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, anunciou que o primeiro leilão de reserva de capacidade em sistemas de armazenamento de energia por baterias ocorrerá em abril deste ano. A partir dessa iniciativa, o governo irá autorizar empresas do setor energético a armazenar e fornecer energia elétrica através de baterias químicas.

De acordo com a portaria que regula o leilão, os sistemas deverão ser capazes de realizar recarga completa em até seis horas, oferecer potência máxima disponível por quatro horas diárias e ter capacidade superior a 30 megawatts (MW). A operação terá início em agosto de 2028 e durará dez anos. A expectativa é contratar cerca de 2 GW.

Transição energética

O mercado de baterias é considerado a próxima fronteira do setor elétrico brasileiro. Empresas nacionais e multinacionais, incluindo a Petrobras, demonstraram interesse em participar do leilão e competir livremente no mercado brasileiro.

O avanço desse segmento poderá consolidar o Brasil como líder na transição energética. Atualmente, 91,2% da eletricidade gerada no país provém de fontes renováveis, como hidrelétricas, eólicas, solares e biomassa, segundo dados da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

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