Mobilizar US$ 1,3 trilhão por ano em financiamento climático até 2035. Esse é o desafio que uniu lideranças empresariais, governo e organismos multilaterais no Museu do Amanhã, no Rio de Janeiro, na quinta-feira (21), em um encontro que reforçou o protagonismo do setor privado na preparação do Brasil para a COP30. Esse montante é considerado fundamental para viabilizar projetos sustentáveis em países em desenvolvimento.
Ricardo Alban, presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), destacou a importância de garantir um fluxo contínuo de financiamento sustentável para que as recomendações e medidas discutidas no evento resultem em ações concretas.
“Estamos em mais um evento preparatório para a COP30, para discutirmos algo de enorme importância em todos os aspectos: em nossas vidas, negócios e principalmente na temática da sustentabilidade, que envolve financiamento. Precisamos garantir um fluxo sustentável de recursos para que as medidas e recomendações que elaborarmos na Sustainable Business Coop tenham continuidade, ou seja, sejam mantidas de forma pragmática e constante, assegurando a evolução desse processo”, enfatizou Alban.
Ele apresentou dados que ilustram o cenário das emissões de carbono geradas pela indústria. “De acordo com informações do Fórum Econômico, cerca de 30% das emissões de carbono são atribuídas à indústria. Nos últimos anos, apenas 1,4% do financiamento destinado à descarbonização foi direcionado ao setor industrial. Essa equação precisa ser revisada para aumentarmos a assertividade”, observou.
Para isso, a CNI lançou o Sustainable Business COP (SB COP), uma iniciativa inspirada no B20, que reúne líderes de mais de 60 países e representa quase 40 milhões de empresas. A proposta é chegar à COP30, a ser realizada em Belém (PA) em novembro, com recomendações e exemplos práticos de soluções já aplicadas em escala global.
COP30: financiamento climático no centro das discussões
O Círculo de Ministros de Finanças da COP30, que atualmente agrega 37 países e tem a missão de articular recursos públicos e privados para mobilizar US$ 1,3 trilhão anuais, foi apresentado no evento por Tatiana Rosito, secretária de Relações Exteriores do Ministério da Fazenda. Entre as prioridades estão a reforma dos bancos multilaterais de desenvolvimento, a ampliação dos fundos climáticos e a criação de instrumentos inovadores para atrair capital privado.
“O Círculo de Ministros de Finanças da COP30 é uma contribuição essencial para o Roadmap de Baku a Belém, reunindo líderes globais para construir uma arquitetura financeira climática inclusiva, equitativa e orientada a resultados, alinhada às prioridades domésticas e internacionais do Brasil”, afirmou Tatiana.
COP30: Eco Invest traz inovação financeira com alcance global
Ilan Goldfajn, presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), apresentou o Eco Invest Brasil, uma iniciativa do governo brasileiro com apoio do BID e do Reino Unido. O programa combina blended finance, fundo de liquidez e instrumentos cambiais para reduzir riscos a investidores estrangeiros em projetos sustentáveis, com expectativa de mobilizar US$ 10,8 bilhões até 2027, principalmente do setor privado.
“O Eco Invest tem como objetivo atrair capital privado ao país por meio de inovações financeiras. Nossa parceria visa aumentar os investimentos no Brasil, gerando emprego, oportunidades e benefícios concretos para a população brasileira”, destacou Goldfajn.
COP30: rumo a Belém
A colaboração entre setor público, iniciativa privada e instituições multilaterais, demonstrada na SB COP e fortalecida por projetos como o Eco Invest, evidencia que os compromissos climáticos podem ir além do papel e se concretizar. Alban, presidente da SB COP, Ricardo Mussa, e Goldfajn reforçaram no evento que não há tempo a perder.
A COP30 representa uma oportunidade estratégica para o Brasil apresentar projetos robustos, investimentos escaláveis e alianças internacionais, consolidando o país como referência em soluções que conciliam desenvolvimento econômico e sustentabilidade ambiental.
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