O Iater (Instituto de Assistência Técnica e Extensão Rural) e a Seadi (Secretaria de Agricultura, Desenvolvimento e Inovação) promoveram nesta terça-feira, 12, o Dia de Campo dedicado ao Café Robusta Amazônico. O evento aconteceu no Sítio Nova Esperança, localizado no PA Nova Amazônia, e reuniu produtores, técnicos e pesquisadores de diferentes estados para um intercâmbio visando o fortalecimento da cafeicultura em Roraima.
A programação, realizada em parceria com a Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) e o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), incluiu palestras, demonstrações no campo e visitas técnicas à Unidade Demonstrativa, metodologia do Iater que apresenta tecnologias agrícolas já testadas e adaptadas à realidade local.
O engenheiro agrônomo do Iater, Eliander Pimentel, apresentou os resultados da unidade implantada há seis meses. Ele ressaltou que o local funciona como “um laboratório a céu aberto”, disponível para todos que desejam ingressar na atividade.
“Esse é nosso objetivo: fazer com que essas unidades demonstrativas sirvam de exemplo para quem quer entrar na cafeicultura no estado. As pessoas podem vir até aqui e aprender, pois nossas portas estarão sempre abertas”, explicou Pimentel.
Com a primeira produção prevista para ocorrer entre 15 e 18 meses, a equipe realiza testes de sistemas consorciados com milho, mamão, maracujá e hortaliças entre as linhas, garantindo renda ao produtor durante a formação do café.
“Com dois anos de cultivo consolidado, nossa meta é alcançar uma produtividade entre 80 e 100 sacas por hectare. Este é o foco, por meio de manejos culturais adequados, adubação de qualidade e aplicação de tecnologia”, destacou o técnico.
Para o secretário-adjunto de Agricultura, Desenvolvimento e Inovação, Kelton Lopes, a ação reforça o compromisso do Governo do Estado em ampliar as oportunidades para a agricultura familiar.
“Este Dia de Campo representa mais um avanço no fortalecimento da nossa agricultura. A cafeicultura robusta, quando conduzida de maneira técnica e sustentável, possui grande potencial para gerar renda, diversificar a produção e inserir Roraima em um novo cenário de mercado”, ressaltou o secretário.
Participação de especialistas destaca inovação tecnológica
Pesquisadores convidados também ofereceram orientações técnicas. Marcelo Curitiba, da Embrapa Rondônia, e Abrão Carlos Verdim, do Incaper Espírito Santo, discutiram manejo, clones adaptados à Amazônia e perspectivas econômicas para o cultivo. Curitiba enfatizou o potencial de rentabilidade:
“O café robusta na Amazônia pode produzir até 80 sacas por hectare, com preço médio de mil reais por saca. Uma família que cultiva cinco hectares pode obter uma renda bruta anual de 400 mil reais. É uma atividade rentável, que gera emprego no campo e pode transformar vidas”, afirmou Marcelo Curitiba.
O técnico da Embrapa Roraima, Carlos Mendonça, lembrou que o trabalho com o café robusta vem sendo intensificado desde 2019, demonstrando todo o potencial que o estado possui nesse tipo de cultivo.
“Estamos testando clones para validação no estado. Nesta vitrine, contamos com a parceria de um produtor com 4 mil pés de café. Com essas trocas de conhecimento, mostramos que a cultura é economicamente viável e incentivamos a constante melhoria da cafeicultura local”, destacou.
Produtores apostam na cultura
O proprietário da área onde o evento foi realizado, Edilson Pereira Lopes, contou que decidiu investir após contato com técnicos do Iater durante a Expoferr. “Resolvi apostar porque vi que teria o suporte do Iater e do Governo. Estamos juntos nessa missão para fazer a lavoura prosperar”, afirmou.
A esposa, Leucineia Gomes, compartilhou a mesma expectativa: “Iniciamos a irrigação pensando em outras culturas, mas mudamos para o café na esperança de aumentar o plantio e a produção, contando com o apoio do Iater e do Governo do Estado.”
Expansão e diversificação
Eliander Pimentel acrescenta que o Iater está expandindo o modelo para outras regiões de Roraima. Além da unidade no PA Nova Amazônia, estão sendo implantadas áreas no Paredão (Alto Alegre), uma para café arábica no Tepequém e outra voltada a pequenos produtores no Cantá.
O instituto também mantém unidades demonstrativas de cacau, banana, milho irrigado, abacaxi, grãos e culturas consorciadas, como macaxeira, feijão, maracujá, pimentas e hortaliças.
“O Iater desempenha papel fundamental nesse processo, pois a unidade demonstrativa é a metodologia característica do nosso serviço. Continuaremos desenvolvendo essas atividades para proporcionar maior aprendizado aos produtores”, concluiu Pimentel.