As tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, entraram em vigor nesta quarta-feira (6). A medida alcança 35,9% das mercadorias enviadas ao mercado norte-americano, equivalendo a cerca de 4% das exportações totais do Brasil.
Dentre os produtos que agora devem pagar a sobretaxa estão café, frutas e carnes. Entretanto, cerca de 700 itens foram excluídos do tarifaço, como suco e polpa de laranja, combustíveis, minérios, fertilizantes, aeronaves civis (motores, peças e componentes), polpa de madeira, celulose, metais preciosos, energia e produtos energéticos.
O economista-chefe da Análise Econômica de São Paulo, André Galhardo, considera que os principais efeitos da medida já estão começando a ser percebidos no curto prazo, podendo gerar consequências inflacionárias ou desinflacionárias no país.
“Alguns produtos cujo redirecionamento das exportações é mais complicado, por questões sanitárias ou logísticas — como as frutas — podem apresentar uma sobreoferta no mercado interno. Se não exportarmos mais ou reduzirmos significativamente o volume enviado aos Estados Unidos, dificilmente encontraremos outro mercado disposto a comprar esse excedente a tempo, antes que esses produtos se estraguem”, explica Galhardo.
Segundo ele, essa sobreoferta pode pressionar os preços para baixo e, assim, contribuir para a desaceleração da inflação no Brasil. “Acredito que os primeiros impactos no curto prazo são esses: uma redução, ainda que temporária, da inflação”, afirma.
Como a medida impacta o bolso do consumidor?
O tarifaço pode afetar diretamente o bolso do consumidor brasileiro. Com mais produtos disponíveis no mercado interno, os preços tendem a cair. Contudo, Galhardo ressalta que essa relação não é automática.
“Alguns exportadores de carne bovina, por exemplo, deixaram de abater animais para equilibrar a oferta e a demanda, já que agora exportam menos para os Estados Unidos. No caso das frutas, se não houver nenhuma ação para ‘queimar’ os estoques, certamente haverá maior oferta para o consumidor brasileiro, o que pode ajudar a desacelerar a inflação, atualmente acima do teto da meta”, conclui.
Efeitos indiretos na economia
O economista também destaca que os impactos vão além dos setores diretamente afetados, como o café e a carne bovina. Segundo ele, é inadequado minimizar os efeitos da medida neste momento.
“Claro que os produtores de café e os frigoríficos serão impactados, mas não apenas eles. Existem efeitos indiretos que podem se espalhar pela economia. Embora represente uma fração do Produto Interno Bruto, o aumento das tarifas pode influenciar o câmbio e causar uma redução no nível de atividade econômica de forma indireta, por meio de um efeito transbordamento”, observa.
Efeito sobre a taxa de câmbio
Galhardo também avalia que “o processo de valorização da moeda brasileira pode ser suavizado ou até mesmo revertido nas próximas semanas”, devido às barreiras tarifárias.
Com a diminuição das exportações, há uma redução na entrada de dólares no país, o que pode prejudicar o fortalecimento do real observado desde o início de 2025.
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