Mulheres têm mostrado, cada vez mais, que podem ocupar qualquer espaço. Seja ao volante de um caminhão, na linha de frente dos serviços urbanos, na coordenação técnica ou na liderança de equipes. Não existem limites pré-definidos para sua atuação — abrem-se caminhos com coragem, competência e determinação.
Ao assumirem lugares antes pouco frequentes, elas convertem rotinas em conquistas e demonstram, na prática, que talento e força não têm gênero. Cada uniforme conta uma história. Cada jornada cumprida traz um propósito.
segundo a PNAD Contínua de 2025
Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), pela PNAD Contínua 2025, indicam que cerca de 50,2% das mulheres em Roraima participam do mercado de trabalho. Mais do que uma estatística, esse índice traduz milhares de trajetórias marcadas por persistência, coragem e superação.
Força feminina que faz a cidade funcionar
Em Boa Vista, essa presença feminina se nota nas ruas, nos bairros e nos serviços que mantêm a cidade viva diariamente. Elas atuam na linha de frente da limpeza e conservação pública, assegurando cuidado, organização e bem-estar para toda a população.
Dentre muitas histórias, destacam-se mulheres como Juliana Lacerda, que dirige um caminhão de coleta com habilidade e segurança, e Marisa Cristina de Oliveira, que encara uma rotina intensa como coletora de resíduos com coragem e comprometimento.
Juliana Paulino é agente de limpeza e transforma cada espaço cuidado em uma demonstração de respeito pela cidade. Já Jocasta Barreto, técnica em segurança do trabalho, atua com conhecimento técnico e liderança na prevenção de acidentes, zelando pela integridade de suas equipes.
Mais do que funções, Boa Vista reconhece símbolos de transformação. Cada mulher amplia seus horizontes e inspira outras a acreditar que também podem ocupar qualquer espaço.
Juliana Lacerda: paixão pelas estradas
Assim é a trajetória da roraimense Juliana Lacerda, 37 anos. Motorista com habilitação categoria “E” desde 2013, ela já percorreu o país ao volante de carretas LS e caminhões-cegonha. Acostumada a longos trajetos e à responsabilidade de veículos pesados, hoje enfrenta uma novidade: pela primeira vez dirige um caminhão de coleta de lixo, vendo nessa experiência mais um aprendizado.
Casada e mãe da pequena Ana Jú, de 4 anos, Juliana ressalta que a atual ocupação lhe permite equilibrar melhor o trabalho com o convívio familiar. “Meus pais trabalhavam com transportadora de pedras e foi ali que comecei a admirar a profissão. Sou a única carreteira da família. Nós, mulheres, damos conta de muitas coisas ao mesmo tempo. Sou mãe, esposa e motorista. Estou sempre ativa — e faço tudo com muito amor”, afirmou.
Como mensagem para quem a acompanha, ela é enfática: é preciso buscar oportunidades e não desistir dos objetivos. “Acima de tudo, é necessário amar o que faz. Seja qual for a área escolhida, com dedicação você chega lá. A força da mulher se vê na prática. Sou prova de que podemos estar onde desejamos”, disse.
Marisa Cristina: coragem no dia a dia
Ao lado de Juliana, está a história de Marisa Cristina de Oliveira, 29 anos, que há três meses trabalha como coletora de resíduos. Natural de Santa Catarina, mora em Boa Vista há oito anos e já atuou nas áreas da saúde e da panificação. Quando surgiu a chance no novo emprego, decidiu aceitar motivada por uma antiga curiosidade: a paixão por caminhões.
“Sempre quis trabalhar com caminhões e aproveitei a chance. Tenho três filhos — uma menina de 9 anos, um menino de 4 e um bebê de 8 meses. Minha rotina começa às 5h, mas quando chego em casa dedico tempo a eles. É gratificante. A mulher pode estar onde quiser. Temos o mesmo potencial e demonstramos que somos fortes e capazes”, afirmou.
Juliana Paulino: cuidado que extrapola o lar
Outra referência é a roraimense Juliana Paulino, 47 anos, agente de limpeza há cinco anos. Mãe solo de quatro filhos, ela concilia o trabalho com a responsabilidade de cuidar da família e da cidade.
“Tenho o mesmo cuidado com Boa Vista que tenho com a minha casa. Mas é preciso a colaboração de cada morador para manter a cidade limpa. Tenho muito orgulho do meu trabalho, pois é com ele que sustento minha família”, declarou.
Jocasta Barreto: liderança e prevenção
Proteger e acompanhar essa equipe está entre as atribuições de Jocasta Barreto, 29 anos, técnica em segurança do trabalho há seis anos. Casada, ela divide o tempo entre a profissão, a casa, o marido e os pets, equilibrando vida pessoal e compromisso profissional.
profissão que quisermos”, disse Jocasta
“Nossa função é acompanhar e fiscalizar as equipes para garantir a segurança de todos. Quando compreendem isso, passam a valorizar muito nosso trabalho. Nós, mulheres, conquistamos espaço com nosso jeito de liderar — com firmeza e sensibilidade. Cada uma tem sua característica e podemos exercer qualquer profissão que desejarmos”, destacou.
Histórias distintas e trajetórias singulares, mas um mesmo denominador: o lugar da mulher é onde ela escolher estar. Em Boa Vista, elas reafirmam isso diariamente — com trabalho, coragem e orgulho.



