Resiliência, vigor e coragem: assim se descrevem as mulheres que fazem parte da Superintendência Municipal de Trânsito de Boa Vista (SMTRAN). Elas atuam para tornar a mobilidade e a rotina dos condutores da cidade mais organizadas.
Com trajetórias que se entrelaçam à própria história da instituição, profissionais como Ângela Maria, 42 anos, destacam o diferencial na corporação. Na SMTRAN há quase 21 anos, a agente é mãe de duas filhas, tem várias formações acadêmicas e ingressou na superintendência classificando-se em 1º lugar no concurso.
Dos 93 agentes de trânsito, 24 são mulheres. Em um ambiente predominantemente masculino, Ângela valoriza a importância do trabalho e incentiva outras a perseguirem seus sonhos.
“Somos mais tranquilas, conseguimos perceber o conjunto, agimos com inteligência e, assim, realizamos um ótimo trabalho, com zelo e dedicação. Sinto-me realizada, amo o que faço. Quando visto esta farda, sei que estou contribuindo para um trânsito mais seguro”, declarou.
Histórias que inspiram
Superação e conquistas também marcam a instituição, como nos casos das agentes Francieulaia Leão, 49 anos, e Karolini Cardoso, 42, que enfrentaram obstáculos e, com determinação, seguem contribuindo para a segurança viária do município.
A agente F. Leão, que sempre atuou na fiscalização, viveu momentos delicados na vida pessoal e profissional. Diagnosticada com câncer em 2019, ela relata que recebeu suporte da administração e dos colegas ao longo de todo o tratamento.
“Não foi simples, precisei me deslocar para outro estado para realizar o tratamento, mas, graças a Deus, consegui superar. Agora voltei à rua; é onde me sinto melhor, aqui na fiscalização. Sinto gratidão e orgulho. Gosto muito da minha farda e do meu trabalho”, afirmou.
Mesmo diante das dificuldades diárias, ela incentiva outras mulheres. “Hoje sabemos que todas podem chegar onde desejarem. Então, não desistam dos sonhos: quando a gente quer, é possível conquistar”, acrescentou.
Em 2025, Karolini Cardoso participou do curso de pilotagem ostensiva da Guarda Civil Municipal de Boa Vista (GCM) e, entre 45 alunos de diferentes forças de segurança, ficou em 1º lugar entre as mulheres e em 2º na classificação geral. Com 20 anos de casa, ela recorda os desafios enfrentados ao longo da carreira, especialmente por ser mulher.
“Apenas duas pessoas da minha instituição (SMTRAN) foram selecionadas para essa formação. Muitos duvidaram, disseram que eu não teria ‘carcaça’ para concluir o curso. Mas fui firme, mostrei que também temos garra e determinação, e concluí”, ressaltou.
Karolini reforçou que quem deseja alcançar objetivos precisa lutar. “É preciso tentar; às vezes deixamos de agir por receio ou medo, achando que será difícil, mas superamos um dia de cada vez”, destacou.
Liderança feminina
Atualmente, a SMTRAN conta com duas agentes em posições de chefia. A superintendente municipal de Trânsito, Ednalva Freitas, que está na corporação há 17 anos, comentou sobre a grandeza do trabalho feminino.
“A mulher tem postura, sensibilidade e empatia para lidar com as situações, mas ainda há quem, ao ver mulheres na liderança, duvide da capacidade. Temos demonstrado nosso diferencial com coerência e responsabilidade, sem permitir distorções”, afirmou.
Neurimar Macedo, agente de trânsito há 20 anos e atualmente secretária-adjunta de Mobilidade, ressaltou a relevância da participação feminina na Superintendência Municipal de Trânsito.
“Podemos ocupar qualquer espaço na sociedade desde que busquemos formas de nos capacitar. É um momento desafiador, porém muito gratificante, e sinto-me realizada. Passei pelos setores de multas, monitoramento, corregedoria e fiscalização. Trabalhei em cada área, conhecendo de perto as demandas dos departamentos. É uma honra e motivo de orgulho demonstrar a força e a competência da mulher como gestora”, concluiu.




