Com papel fundamental no fortalecimento da agricultura familiar, a presença feminina é constante nas lavouras durante todo o ano, unindo cuidado, luta, dedicação e resistência no campo. Em Boa Vista, tanto na zona rural quanto nas comunidades indígenas do município, mulheres plantam, colhem e geram renda, assegurando o sustento e a dignidade de suas famílias.
Todo esse trabalho é apoiado por políticas públicas implementadas pela Prefeitura de Boa Vista. Até o momento, foram investidos R$ 77 milhões no fortalecimento da agricultura familiar da capital. Para 2026, está prevista a destinação de mais R$ 43 milhões para novos investimentos no setor, ampliando o suporte aos produtores e impulsionando o desenvolvimento rural.
Força que nasce da terra
No pico da pandemia de Covid-19, em 2020, Antônia Mourão deixou a cidade e foi para o PA Nova Amazônia I, zona rural de Boa Vista, em busca de mais segurança e tranquilidade enquanto cumpria o isolamento e seguia as medidas de proteção. Com a queda da transmissibilidade e a chegada da vacina, Antônia e o esposo, Antônio Pacheco, já haviam se adaptado à rotina do campo.
“Começamos plantando alguns pés de quiabo, produzindo muito pouco, e hoje ampliamos bastante. Atualmente, cultivamos pimenta, quiabo, maxixe, abobrinha, batata-doce, milho, banana, macaxeira, goiaba, além de criar peixe, galinha e produzir ovos. Trabalhar no campo exige força física e disposição para arregaçar as mangas. É fruto de muito esforço, mas eu não me imagino mais longe daqui”, contou.
Preservando tradições
Nas comunidades indígenas, o trabalho das mulheres na agricultura tem forte valor simbólico. Além de cuidar da terra, elas preservam técnicas tradicionais de plantio, cultivo e processamento, repassadas de geração em geração. Jucirene Souza vive na comunidade Mauixe, na região do Baixo São Marcos, com o esposo e os filhos. Há três anos, a família intensificou o cultivo de mandioca para a produção de farinha.
“Trabalho como merendeira em uma escola e, na roça, com a minha família. Contamos com o sistema de irrigação da prefeitura para produzir mandioca durante todo o ano e assim manter a produção de farinha sem interrupção. É uma correria diária, mas estamos superando os desafios e já planejamos expandir a roça, ampliando a área irrigada”, relatou.
Prefeitura como parceira
Desde a implementação do Plano Municipal do Desenvolvimento do Agronegócio (PMDA), o apoio institucional beneficiou 757 famílias chefiadas por mulheres. Os produtores recebem assistência técnica especializada e contam com 149 máquinas e implementos, entre tratores, caminhões, escavadeiras, drones agrícolas, colheitadeiras, patrolas, entre outros.
Dupla jornada
Entre hortaliças, mandioca, frutas e legumes, a rotina das mulheres começa cedo. Muitas já estão de pé antes do nascer do sol, iniciando a dupla jornada: cuidar da produção e da família exige disciplina, coragem e capacidade de adaptação. Saber que os alimentos que chegam à mesa passam por mãos femininas perseverantes é reconhecer a força que sustenta o campo.




